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Domingo, Julho 12, 2009

Ana Gomes e Elisa Ferreira 


Começo por dizer que não tenho nenhuma crítica a fazer aos políticos profissionais que concorrem em eleições sucessivas, como poderia acontecer com as próximas legislativas e autárquicas. É próprio e está de acordo com a sua posição de políticos profissionais. Escolheram uma actividade que exercem profissionalmente e é a ela que têm de se dedicar, seja onde for. A política não é – na sua essência – uma busca de tachos e a concorrência em várias eleições tem de ser vista como natural e inerente ao próprio combate.


De uma forma absolutamente populista, alguns partidos começaram a exigir uns aos outros que os candidatos tinham de escolher antecipadamente onde queria ficar e isso pegou. Pegou porque os partidos sabem que o povo apenas os vê como parasitas à procura do melhor ordenado e, em vez de lutar contra esta lógica, acharam que era mais fácil servirem-se dela. Arranjaram mais um fait divers para evitar discutir coisas sérias.


E, dito isto, pego nas observações das deputadas Ana Gomes e Elisa Ferreira, quando foram instigadas por Manuel Alegre a escolher entre as Câmara Municipais a que concorriam e o Parlamento Europeu. Que não reconheciam autoridade ao deputado Manuel Alegre para lhes dar lições de moral sobre o assunto. Responderam, portanto, com a lógica dos tachos o que é duplamente perverso.


Não minhas meninas. O problema levantado por Manuel Alegre não é um problema moral é um problema político de coerência na acção partidária. O vosso partido – alinhando no populismo que realço e do qual discordo – aprovou em comissão política uma decisão de que não haveria candidatos em legislativas e autárquicas. A aprovação dessa decisão tem pressupostos políticos (e não morais) que as meninas deviam respeitar ou contestar, mas que se aplicam à acumulação de candidaturas de uma forma geral. De outra forma não fazem nenhum sentido.


E, entendendo a atitude das deputadas com o pressuposto de que discordam da decisão tomada (para não dizer que fazem como Frei Tomás), podiam tê-lo dito. Podiam ter-se remetido ao grande argumento válido: o de que estavam na luta política e que era essa a sua vocação e vontade. Mas preferiram ir atrás da música, sem se aperceberem que um dos males do PS é de ter demasida gente a ir atrás da música.

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